Relato Reflexivo
As etapas que edificaram o curso em questão proporcionaram um
aprofundamento teórico, respaldado no entendimento da competência leitora e
escritora como um todo. A cada etapa pude vivenciar um processo reflexivo
diante da concepção tradicional, no tratar da leitura e escrita na escola, bem
como, das novas tendências que diferentemente daquela, abordam o texto muito
mais que um instrumento e sim, um recorte de uma situação social, que de acordo
com os objetivos do escritor evidencia um gênero específico, contendo
particularidades estruturais e semânticas.
Dessa maneira, ficou evidente que nenhuma forma de expressão pode
ser descontextualizada. O contexto social abriga os interlocutores e suas
possíveis intenções e com isso, gêneros diversificados surgem devido à
necessidade em se organizar o discurso. O ensino tradicional de leitura e
escrita embasava-se em decodificar e interpretar o que era dito, ou seja, como
se houvesse um limite e assim, a interpretação ficava à mercê do que o autor quis dizer; como se fosse possível
apenas “traduzir” o que alguém escreveu, por exemplo. Hoje, com as novas
concepções de ensino e aprendizagem, é possível enxergar a amplitude de um
trabalho bem executado, diante das competências leitora e escritora.
Tendo em vista que a minha disciplina é Arte, acredito que o curso
contribuiu para esclarecer tal amplitude no tratar das referidas competências.
Isso porque tive uma formação fincada na concepção tradicional e não, na teoria
e linguística do texto, por exemplo. As competências de leitura e escrita,
vista pelo foco da contextualização, torna-se mais coerente, bem como,
aproxima-se com maior rigor das concepções artísticas de produção, expressão e
apreciação.
A vivência, diante da produção de textos para o contexto digital e
a composição do blog, dinamizou um
olhar reflexivo para a leitura e escrita em geral. Leitura que não se limita
somente nos textos escritos ou digitais, mas que faz parte de todo contexto
social e artístico, como a leitura de mundo, já teorizada pelo grande educador
Paulo Freire (1921-1997). Além disso, o blog
foi uma experiência inusitada, pois, por se tratar de um trabalho conjunto,
denota, por natureza, o afloramento de conflitos. Assim, foi preciso mediar
conflitos cognitivos, os quais são fontes de crescimento e novas aprendizagens.
Sem esse processo, não é possível ampliar e/ou desenvolver conhecimentos. Em
outras palavras, o desafio foi lançado e um novo direcionamento de práticas e
condutas inicializado.
Enfim, o trabalho foi árduo, no entanto, propício à construção de
novos conhecimentos, que carregam em si, por sua vez, novos questionamentos.
Isso é instigante porque todo curso bem estruturado deve promover uma reflexão,
uma espécie de incômodo no cursista e este em questão, proporcionou um
redirecionamento de ideias e concepções, como explanadas anteriormente, além de
implantar novas perguntas e novos olhares para as mais diversas situações
sociais, sendo na escola ou não.
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